Perdido nas incertezas tive um pensamento:
Eu não sei rir.
Talvez porque nunca tentei,
Talvez porque nunca achei a razao.
Mas eu não sei rir!
Não me lembro de ter sentido essa tal felicidade,
Não me recordo de ter sentido congelar meu rosto,
Não me lembro de ter visto vida em minha boca.
Tenho belos dentes,
Os mostro sempre.
Faço um esboço bucal
E dizem sorrisos...
Sorrisos abrem portas
Então, assim o fiz!
Sorrio sem motivo,
Mas não eh um sorriso,
É somente ginástica facial
Para que rir?
Nossa vida é uma comédia,
Nossos governantes hilariantes,
Tudo acaba no fim em risos.
Nada é levado a sério!
Então pra que rir?
Acho que acabei vendo
Que de tanto rir de nossa desgraça
Já não vejo tanta graça
Em sorrir.
No fim é solitário
A vida sem sorrisos
Não é bom ou ruim
Mas nunca vi ninguém que também
Notasse que já não sabe rir.
— Daniel Fernandes
Sociedade dos Poemas Mortos
sábado, 3 de maio de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
Sociedade
Ilustres amantes da poesia,
Poderia falar de forma poética sobre esse espaço, mas não encontrei versos que fossem suficientes para descreve-lo. Seria insultá-los com versos sem sentimento escrever sobre algo tão ilustre.
O projeto poemas mortos foi uma iniciativa de dois amigos, Daniel Fernandes e Ana Paula Barbosa, que conversavam durante a madrugada seus sonhos do mundo literário que Drummond falava em seus versos. As poesias aqui compartilhadas são ferramentas para tentar colocar no mundo algo que toque a alguém.
Não é um blog meu ou da jovem Ana, nem mesmo da minha amiga Jully (que ofereceu até agora vários versos em alguns dos poemas por mim publicados) nem de qualquer um que venha a se tornar moderador desse blog. Como já disse algumas vezes esse é o blog dos poemas.
Caso perguntem por qual razão escolhi esse nome, bem... existem duas. A primeira e mais marcante é, como alguns devem perceber, o filme "Sociedade dos Poetas Mortos" uma brilhante obra cinematográfica. A segunda razão é mais literária por assim dizer. Meu pensamento é:
Não existe poemas vivos
somente por serem escritos.
Todos os versos são mortos,
até encontrarem alguém que os sinta.
Quero que minhas crianças
voem pelos campos,
nadem nos oceanos,
conquistem bosques.
Quero que por alguém
os versos ganhem vida,
para que um dia possa mudar
esse nome mórbido de sociedade
para, somente, poesia.
Bem vindos a sociedade dos poemas
Que buscam vida!
Não somente minhas crianças aqui estão, como quero que nessa pequena parte do cyber-mundo todos os versos que precisem de vida, todas as canções, poesias, poemas, modernistas, românticos, barrocos encontrem-se. Elogiem, critiquem, sejam a poesia e a sinta. Crie raiva ou amor. E caso queira, nos forneça a chance para que mais algumas palavras ganhem mundo.
Bem vindos a sociedade de todos os versos. Bem vindos aos poemas mortos.
— Daniel Fernandes.
Iara
Desce da água serena
uma beleza digna de Atena
com um caráter de Mecena
uma delicadeza amena
Olhos da Capitu machadiana
me flecham como uma obsidiana
meus sentimentos como uma caravana
partem em busca da beleza olimpiana
Mas não vens saciar
esse meu doce amar
infelizmente vem forçar
os meus sonhos a acabar
Triste daquele pescador
encantado buscou sem temor
a doce beleza do amor
e tal beleza o afundou..
Ao fim da alegria
acaba a doce sinfonia
pode a morte da poesia
ser repleta de sua ironia?
Vem culpar teus amores
vem sarar suas dores
cultivar os tênues ardores
a vida dos grandes usurpadores
Porém a beleza encantadora
de tal forma até dominadora
foi escolha do pescador
Ele buscou seu amor
e por fim sem temor
nas doces águas mergulhou.
Com a linda Iara escolheu afundar
Não mais pobre deve chamado ser
pois no fim morrera de amar
e não sem nada escolher.
— Daniel Fernandes para a senhora das águas.
uma beleza digna de Atena
com um caráter de Mecena
uma delicadeza amena
Olhos da Capitu machadiana
me flecham como uma obsidiana
meus sentimentos como uma caravana
partem em busca da beleza olimpiana
Mas não vens saciar
esse meu doce amar
infelizmente vem forçar
os meus sonhos a acabar
Triste daquele pescador
encantado buscou sem temor
a doce beleza do amor
e tal beleza o afundou..
Ao fim da alegria
acaba a doce sinfonia
pode a morte da poesia
ser repleta de sua ironia?
Vem culpar teus amores
vem sarar suas dores
cultivar os tênues ardores
a vida dos grandes usurpadores
Porém a beleza encantadora
de tal forma até dominadora
foi escolha do pescador
Ele buscou seu amor
e por fim sem temor
nas doces águas mergulhou.
Com a linda Iara escolheu afundar
Não mais pobre deve chamado ser
pois no fim morrera de amar
e não sem nada escolher.
— Daniel Fernandes para a senhora das águas.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Epílogos (Juízo anatômico dos achaques que padecia o corpo da república)
Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.
Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.
Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.
Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.
Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos?... Mulatos.
Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao Demo o povo asnal,
Que estima por cabedal,
Pretos, mestiços, mulatos.
Quem faz os círios mesquinhos?... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas?... Guardas.
Quem as tem nos aposentos?... Sargentos.
Os círios lá vem aos centos,
E a terra fica esfaimando,
Porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.
E que justiça a resguarda?... Bastarda.
É grátis distribuída?... Vendida.
Que tem, que a todos assusta?... Injusta.
Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça.
Que anda a Justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.
Que vai pela clerezia?... Simonia.
E pelos membros da Igreja?... Inveja.
Cuidei que mais se lhe punha?... Unha
Sazonada caramunha,
Enfim, que na Santa Sé
O que mais se pratica é
Simonia, inveja e unha.
E nos frades há manqueiras?... Freiras.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Não se ocupam em disputas?... Putas.
Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões e putas.
O açúcar já acabou?... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?... Subiu.
Logo já convalesceu?... Morreu.
À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal cresce,
Baixou, subiu, morreu.
A Câmara não acode?... Não pode.
Pois não tem todo o poder?... Não quer.
É que o Governo a convence?... Não vence.
Quem haverá que tal pense,
Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.
— Gregório de Matos
Em comemoração ao aniversário do nosso maior poeta do estilo barroco.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.
Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.
Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.
Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.
Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos?... Mulatos.
Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao Demo o povo asnal,
Que estima por cabedal,
Pretos, mestiços, mulatos.
Quem faz os círios mesquinhos?... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas?... Guardas.
Quem as tem nos aposentos?... Sargentos.
Os círios lá vem aos centos,
E a terra fica esfaimando,
Porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.
E que justiça a resguarda?... Bastarda.
É grátis distribuída?... Vendida.
Que tem, que a todos assusta?... Injusta.
Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça.
Que anda a Justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.
Que vai pela clerezia?... Simonia.
E pelos membros da Igreja?... Inveja.
Cuidei que mais se lhe punha?... Unha
Sazonada caramunha,
Enfim, que na Santa Sé
O que mais se pratica é
Simonia, inveja e unha.
E nos frades há manqueiras?... Freiras.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Não se ocupam em disputas?... Putas.
Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões e putas.
O açúcar já acabou?... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?... Subiu.
Logo já convalesceu?... Morreu.
À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal cresce,
Baixou, subiu, morreu.
A Câmara não acode?... Não pode.
Pois não tem todo o poder?... Não quer.
É que o Governo a convence?... Não vence.
Quem haverá que tal pense,
Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.
— Gregório de Matos
Em comemoração ao aniversário do nosso maior poeta do estilo barroco.
sábado, 5 de abril de 2014
Ciranda de Pingos
Se me encontro nesse vazio pesado
Depois que me afoguei numa lobotomia
Estou aqui porque fui chamado
Pela doce melancolia
Incontáveis passos pelo chão encharcado
Mas ainda deixo minhas pegadas naquela lama sem fim
Aquela incrível sensação se inchaço..
Inchaço de sentimentos, enfim..
Mas mesmo o mais molhado do concreto
Não deixa a marca de meus passos
Nada de meus passos ficou, nada restou
Então, será que andei?
Caminho me seguindo nas poças
E minhas lembranças seguindo a mim.
Esmorecendo em cada uma das gotas
Chuva de trás, chuva de dentro sem fim..
E quanto mais eu ando mais eu olho pra trás..
Procuro refúgio, por onde vim?
Como cheguei aqui?
Mas mesmo molhado, chão de concreto não deixa pegadas..
E ando nos meus laços e enlaçando os meus passos..
Parto do fim e chego ao início
Sem saber o meio que preenche tudo isso..
Ó chuva de sonhos, me banha,
Me leva, me leva para aquele momento
Do meu turbulento caminho em que eu sorri.
Para lembrar que mesmo na chuva o sol brilha.
Lava meu corpo, minha alma,
Me ensina a lavar você..
E vai a chuva correndo,
E vou eu chovendo..
Quem sabe um dia não viro nuvem?
─ Daniel Fernandes e Jully Regina
Depois que me afoguei numa lobotomia
Estou aqui porque fui chamado
Pela doce melancolia
Incontáveis passos pelo chão encharcado
Mas ainda deixo minhas pegadas naquela lama sem fim
Aquela incrível sensação se inchaço..
Inchaço de sentimentos, enfim..
Mas mesmo o mais molhado do concreto
Não deixa a marca de meus passos
Nada de meus passos ficou, nada restou
Então, será que andei?
Caminho me seguindo nas poças
E minhas lembranças seguindo a mim.
Esmorecendo em cada uma das gotas
Chuva de trás, chuva de dentro sem fim..
E quanto mais eu ando mais eu olho pra trás..
Procuro refúgio, por onde vim?
Como cheguei aqui?
Mas mesmo molhado, chão de concreto não deixa pegadas..
E ando nos meus laços e enlaçando os meus passos..
Parto do fim e chego ao início
Sem saber o meio que preenche tudo isso..
Ó chuva de sonhos, me banha,
Me leva, me leva para aquele momento
Do meu turbulento caminho em que eu sorri.
Para lembrar que mesmo na chuva o sol brilha.
Lava meu corpo, minha alma,
Me ensina a lavar você..
E vai a chuva correndo,
E vou eu chovendo..
Quem sabe um dia não viro nuvem?
─ Daniel Fernandes e Jully Regina
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Filha poesia
Você não precisa me pedir permissão
São poesias
Não coisas
Elas não são minhas
Somente sou o pai delas
Um pai bem relapso inclusive
Não as cuido nem enfeito
As deixo brutas como viera.
Elas crescem e voam
Sem a necessidade de um pai protetor
A poesia não é do poeta
Não é do papel
A poesia pertence ao sonho
E o sonho a ninguém pertence
Sonho é de todos
Pelo amor de deus
Crie um blog
E não perca jamais suas poesias
Quero ser Gregório
Deixar quem queira
Escrever minhas palavras
Pois como disse
Sou pai relapso
Mas elas não se perdem
Elas não morrem
Se morrerem, como pai
Ficarei triste!
Que minhas crianças
Somente existam
Em um coração
Voem e encantem
Mesmo que
Com uma só reprodução
— Daniel Fernandes
Resposta a uma conversa quando questionado sobre o lado poético do ser em contraste com a vida padrão de se viver
Sou trevas e luz.
Sou amor e ódio.
Sou a constante inconstância
da vida e da morte
Desculpe.. Normalidade ficou
Aos românticos e modernos..
Eu, barroco sou
Sou poesia e sou prosa
Sou a realidade irreal
Sou o destemido temido
Do vulcão atino
Do vendaval passado
Sou poesia sou prosa
Sou filho da rosa
Destemido e temido ser
Concordar gera monotonia
Falta de energia
Cansaço e rotina
Eu questiono
Balbucio mesmo concordando
Desculpe.. Mas não nasci cinza
Ao contrario..
Nasci barroco
Talvez louco.
Esse poema comecei meu
Mas ficou seu
Sim. Muito seu.
Terminei ainda agora
Acho que incentivado por você
Terminei?
Até o momento sim
Quem sabe num futuro aí
Eu não mude mais e possa continuá-lo?
— Daniel Fernandes para Ana Paula Barbosa
Queres um filme? Vamos fazer um filme!
Com atores da nossa vida
Com historias banais
Com enredos clichês
Com mentiras superficiais
Filme de atuação breve
De falsidade constante
De cenário manipulado
De falas criadas
Um drama com terror
Disfarçado de amor
Com virtudes superficiais
E defeitos banais
Um curta animado
De um musical estrelado
Um filme totalmente atuado
Com um heroi tatuado
Um vilão mascarado
De senhor puritano
E uma bela donzela
De beijo cigano
Vamos fazer um filme
Baseado em reais fatos
Historias verdadeiras
De uma vida medíocre
Um filme tão perfeito
Q nem pareça ser assistido
Um filme de sentido pleno
Somente quando se é vivido
Um filme que já exista
E que o final saibamos
Um último desastre
Acaba com tudo q amamos
E ai? Vamos fazer um filme?
Queres um filme?
Com atores semimortos
Com historias reais
Com enredos idiotas
Com mentiras leais
Um filme bem tão leve
Quanto a vida de um errante
Quanto a desgraça de um coitado
Quanto crianças peladas
Quanto o grito de dor
Que se leva, e leva o amor
Quanto virtudes leais
E defeitos reais
Queres curtir animado
Um mundo deslavado
Grava-lo num filme acuado
Com um pobre acabado
E um infeliz enricado
De Ferrari a todos ferrando
E uma Zé ruela
Que pelo beijo começou seu cruel engano
Queres fazer um filme
Baseado em si mesmo fumado
Levando historias em lavadeiras
De uma vida deslavada
Um filme tão fatigado
Que não venha a ter contigo
Um filme que se perdeu no tempo
E não sabe mais se conter consigo
Um filme que persista
Nesse final de vida dos humanos
Um ultimo suspiro
Acaba com tudo que amamos.
(Tão ligeiro e certeiro
Quanto as cinzas que nos envolvem por inteiro)
E então? Ainda queres fazer um filme?
Vamos fazer um filme?
— Daniel Fernandes e Jully Regina Campello
Com historias banais
Com enredos clichês
Com mentiras superficiais
Filme de atuação breve
De falsidade constante
De cenário manipulado
De falas criadas
Um drama com terror
Disfarçado de amor
Com virtudes superficiais
E defeitos banais
Um curta animado
De um musical estrelado
Um filme totalmente atuado
Com um heroi tatuado
Um vilão mascarado
De senhor puritano
E uma bela donzela
De beijo cigano
Vamos fazer um filme
Baseado em reais fatos
Historias verdadeiras
De uma vida medíocre
Um filme tão perfeito
Q nem pareça ser assistido
Um filme de sentido pleno
Somente quando se é vivido
Um filme que já exista
E que o final saibamos
Um último desastre
Acaba com tudo q amamos
E ai? Vamos fazer um filme?
Queres um filme?
Com atores semimortos
Com historias reais
Com enredos idiotas
Com mentiras leais
Um filme bem tão leve
Quanto a vida de um errante
Quanto a desgraça de um coitado
Quanto crianças peladas
Quanto o grito de dor
Que se leva, e leva o amor
Quanto virtudes leais
E defeitos reais
Queres curtir animado
Um mundo deslavado
Grava-lo num filme acuado
Com um pobre acabado
E um infeliz enricado
De Ferrari a todos ferrando
E uma Zé ruela
Que pelo beijo começou seu cruel engano
Queres fazer um filme
Baseado em si mesmo fumado
Levando historias em lavadeiras
De uma vida deslavada
Um filme tão fatigado
Que não venha a ter contigo
Um filme que se perdeu no tempo
E não sabe mais se conter consigo
Um filme que persista
Nesse final de vida dos humanos
Um ultimo suspiro
Acaba com tudo que amamos.
(Tão ligeiro e certeiro
Quanto as cinzas que nos envolvem por inteiro)
E então? Ainda queres fazer um filme?
Vamos fazer um filme?
— Daniel Fernandes e Jully Regina Campello
A-teu Amor
A-teu amor
Desculpe o pessimismo.
Amor inexiste.
Mas que não deixa triste.
Não!
Perceba que são estações,
palácios, banquetes, vulcões,
que um dia hão de passar.
Supérfluos passados.
Mescla de presentes.
Distantes futuros.
A realidade é triste!
E ei de confessar.
Engano-me ou pelo menos tento.
E tento abraçar a ignorância,
pois a realidade é dolorosa demais para suportá-la sóbria.
Beberei desvirtuadas
ilusões
do teto das solidões
passageiras do outrem.
Desculpe o pessimismo.
Desculpe roubar do poeta o sonho,
do músico a letra,
e os sonhos do próprio Morfeu.
Acontece que no fim o mundo escolheu.
O amor inexiste.
Pra aceitar, tomo um gole de whiski,
acendo o meu cigarro,
e perdoe o pessimismo,
mas a respeito do amor...
Tenho um coração ateu.
— Ana Paula Barbosa e Daniel Fernandes
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