A-teu amor
Desculpe o pessimismo.
Amor inexiste.
Mas que não deixa triste.
Não!
Perceba que são estações,
palácios, banquetes, vulcões,
que um dia hão de passar.
Supérfluos passados.
Mescla de presentes.
Distantes futuros.
A realidade é triste!
E ei de confessar.
Engano-me ou pelo menos tento.
E tento abraçar a ignorância,
pois a realidade é dolorosa demais para suportá-la sóbria.
Beberei desvirtuadas
ilusões
do teto das solidões
passageiras do outrem.
Desculpe o pessimismo.
Desculpe roubar do poeta o sonho,
do músico a letra,
e os sonhos do próprio Morfeu.
Acontece que no fim o mundo escolheu.
O amor inexiste.
Pra aceitar, tomo um gole de whiski,
acendo o meu cigarro,
e perdoe o pessimismo,
mas a respeito do amor...
Tenho um coração ateu.
— Ana Paula Barbosa e Daniel Fernandes
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