Se me encontro nesse vazio pesado
Depois que me afoguei numa lobotomia
Estou aqui porque fui chamado
Pela doce melancolia
Incontáveis passos pelo chão encharcado
Mas ainda deixo minhas pegadas naquela lama sem fim
Aquela incrível sensação se inchaço..
Inchaço de sentimentos, enfim..
Mas mesmo o mais molhado do concreto
Não deixa a marca de meus passos
Nada de meus passos ficou, nada restou
Então, será que andei?
Caminho me seguindo nas poças
E minhas lembranças seguindo a mim.
Esmorecendo em cada uma das gotas
Chuva de trás, chuva de dentro sem fim..
E quanto mais eu ando mais eu olho pra trás..
Procuro refúgio, por onde vim?
Como cheguei aqui?
Mas mesmo molhado, chão de concreto não deixa pegadas..
E ando nos meus laços e enlaçando os meus passos..
Parto do fim e chego ao início
Sem saber o meio que preenche tudo isso..
Ó chuva de sonhos, me banha,
Me leva, me leva para aquele momento
Do meu turbulento caminho em que eu sorri.
Para lembrar que mesmo na chuva o sol brilha.
Lava meu corpo, minha alma,
Me ensina a lavar você..
E vai a chuva correndo,
E vou eu chovendo..
Quem sabe um dia não viro nuvem?
─ Daniel Fernandes e Jully Regina
Nenhum comentário:
Postar um comentário