terça-feira, 8 de abril de 2014

Iara

Desce da água serena
uma beleza digna de Atena
com um caráter de Mecena
uma delicadeza amena

Olhos da Capitu machadiana
me flecham como uma obsidiana
meus sentimentos como uma caravana
partem em busca da beleza olimpiana

Mas não vens saciar
esse meu doce amar
infelizmente vem forçar
os meus sonhos a acabar

Triste daquele pescador
encantado buscou sem temor
a doce beleza do amor
e tal beleza o afundou..

Ao fim da alegria
acaba a doce sinfonia
pode a morte da poesia
ser repleta de sua ironia?

Vem culpar teus amores
vem sarar suas dores
cultivar os tênues ardores
a vida dos grandes usurpadores

Porém a beleza encantadora
de tal forma até dominadora
foi escolha do pescador
Ele buscou seu amor
e por fim sem temor
nas doces águas mergulhou.

Com a linda Iara escolheu afundar
Não mais pobre deve chamado ser
pois no fim morrera de amar
e não sem nada escolher.

— Daniel Fernandes para a senhora das águas.

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